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Bahia ganha trilhas turísticas para observação de cogumelos na Chapada Diamantina e sul do estado

Além das paisagens naturais que despertam a atenção de visitantes de todas as partes do mundo, o Parque Nacional da Chapada Diamantina e o Parque Estadual da Serra do Conduru, no Sul da Bahia, são destinos para quem deseja praticar turismo ecológico e conhecer mais sobre a biodiversidade local. Com isso, um grupo de especialistas em fungos se uniu para lançar um guia de quatro micotrilhas para observação de cogumelos nos dois locais.

O projeto Micotrilhas da Bahia propõe uma nova modalidade de turismo de natureza no estado. Nele, os micoturistas poderão participar de atividades como a busca, a identificação e a fotografia de cogumelos, além de aprender sobre o papel ecológico desses organismos.

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As trilhas que permitem a observação dos cogumelos estão em áreas já conhecidas por turistas e moradores das regiões, sendo duas delas no Vale do Capão, município de Palmeiras, na área do Parque Nacional da Chapada Diamantina; e duas no Parque Estadual da Serra do Conduru, no distrito de Serra Grande, município de Uruçuca.

Através dos roteiros micológicos guiados, tanto turistas, entusiastas ou pesquisadores têm a oportunidade de conhecer os cogumelos presentes na Bahia e compreender a importância da Funga (um termo proposto em 2018 para o reino dos fungos)”, destaca Alexandre Lenz, pesquisador e coordenador técnico do projeto.

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Parque Nacional da Chapada Diamantina

Com vistas incríveis para a Cachoeira do Batista e para o Morro Branco, a Micotrilha Ganoderma é nomeada em homenagem a um exemplar chamado Ganoderma lobatum, cogumelo orelha de pau que possui mais de 50 cm de comprimento. Ela está localizada na Pousada do Capão, e possui 2,2 km com uma grande diversidade de cogumelos coloridos, incluindo espécies comestíveis como o ostra rosa (Pleurotus djamor), o frango da floresta (Laetiporus sp.) e o Irpex rosettiformis.

Já a Micotrilha Mycena — em homenagem ao Mycena margarita, espécie que é bioluminescente — fica na Cachoeira Purificação e se encontra ao pé das montanhas, entre o Morro Branco e a Serra do Candombá, no final do Vale do Capão e começo do Vale do Pati. É uma trilha de 4,6 km com classificação média, de esforço significativo – já que conta com travessia de rio, rochas soltas, raízes expostas e subidas íngremes. 

Muitos cogumelos com cores chamativas são encontrados na micotrilha Mycena, incluindo tons de roxo, lilás e amarelo. O ponto alto é a própria Cachoeira da Purificação, onde se recomenda uma parada para banho, alimentação e hidratação. No retorno, há também a recomendação de parada para banho na Cachoeira Angélica, escondida em um cânion.

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Equipe Serra do Conduru

Parque Estadual da Serra do Conduru

 

Micotrilha Cordyceps é uma trilha circular, pouco severa, de 1,1 km localizada próximo à sede do parque, e requer atenção às raízes das árvores expostas e a alguns pontos de bifurcação na mata ainda não sinalizados. Apresenta trechos com leve aclive e declive e o esforço é moderado, tendo em vista a duração estimada de 3 horas para a observação dos cogumelos. Há grandes chances de encontrar gêneros de cogumelos diversos, inclusive cogumelos bioluminescentes, em uma caminhada noturna.

Esta trilha foi nomeada com o nome popular referente ao gênero Ophiocordyceps, fungo que parasita diversos grupos de insetos, tornando-os “zumbis” e, ao final do seu ciclo, um macrofungo cresce a partir da cabeça deles. Insetos, como grilos, formigas e besouros infectados por fungos desse gênero, podem ser encontrados durante o passeio.

Fungos desse gênero ficaram famosos recentemente na Série “The Last of Us” da HBO. A micotrilha Cordyceps apresenta uma rica biodiversidade de flora e funga, destacando também as inúmeras espécies do gênero Marasmius, que deixam as folhas da serrapilheira coloridas.

Micotrilha Amanita recebeu o nome do gênero de uma espécie de cogumelo chamada Amanita dulciodora que, em todo o mundo, foi registrada unicamente na trilha do PESC. Ela tem um trajeto de 1,4 km, com tempo estimado de percurso para a observação de cogumelos de 3 horas. A trilha apresenta alguns trechos com aclive e declive, com intensidade de esforço moderado, que é agravado pelas condições do terreno. O trajeto tem diversas passarelas sobre pequenos cursos d’água e áreas brejosas e deve ser atravessada com atenção se estiverem escorregadias.

A espécie Amanita dulciodora, possivelmente endêmica da região, ocorre nos períodos de verão e já foi observada entre outubro e fevereiro. Ela tem coloração branca e salmão, sendo fácil de ser identificada quando avistada. É do mesmo gênero de um cogumelo famoso mundialmente, o Amanita muscaria, conhecido pela coloração vermelha e pintinhas brancas. Nesta micotrilha também é possível encontrar insetos “zumbis”, cogumelos corais e uma grande diversidade de cogumelos coloridos.

 

As micotrilhas do Parque Estadual da Serra do Conduru requerem o acompanhamento de um guia da Associação de Condutores e Guias de Serra Grande e o agendamento pode ser feito por meio do telefone (73) 99981-1560.

 

 Luana Veiga/Alô Bahia

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