Genebaldo Correia, de 95 anos, e Maria de Lourdes Correia, de 89, são casados no civil desde 1969.
Há uma conexão direta que liga a Chapada Diamantina com Nova York, nos Estados Unidos. Essa história passa por pastores presbiterianos, a cidade de São Paulo e a Universidade Mackenzie, ainda hoje uma das mais prestigiadas (e caras) da capital paulista.
Em 1871, um grupo de missionários presbiterianos chegou a Salvador. Eles faziam parte da mesma Junta de Missões Estrangeiras, que doze anos antes havia se instalado em São Paulo e iniciado a organização de igrejas e de instituições de ensino.
Católicos e praticantes, os dois são casados no civil desde 1969. Mas, para Lourdes, a celebração religiosa sempre representou o verdadeiro sacramento.
“Sempre tive vontade de casar na igreja. Eu nunca me considerei casada no civil. Acho que o casamento civil é dos homens e eu queria a bênção de Deus”, falou a idosa, em entrevista à TV Subaé.
A história do casal começou ainda na juventude, quando Maria de Lourdes deixou o município de Senhor do Bonfim, no norte do estado, e se mudou com a família para Aratuípe, onde os pais passaram a tomar conta de uma fazenda. Foi ali que ela conheceu Genebaldo.
“Começamos assim: viemos do sertão e meu pai alugou uma casa ao lado da casa dos pa
Segundo o casal, a fórmula para tanto tempo de convivência mistura paciência, carinho e bom humor. “Primeiro vem o amor, confiança, paciência e outros temperos que vão aparecendo. Tem que ter um chamego, um carinho pra gente viver junto assim por tanto tempo”, disse Lourdes.
Durante o relacionamento, eles foram para Santo Antônio de Jesus, onde moram atualmente, e tiveram dois filhos: Antônio Carvalho, o único biológico, e Nilton Araújo, sobrinho de Lourdes, criado pelo casal desde os três anos de idade. Hoje, os idosos são avós de quatro netos.
is adotivos dele. Então a gente foi se conhecendo, sem namoro, sem nada. Depois fomos nos conhecendo melhor e chegamos a namorar”, relembrou Lourdes.
Genebaldo conta que o encantamento por Lourdes foi imediato. “Eu vi ela, gostei dela e me apaixonei. ‘É essa mulher que eu quero pra mim’”, disse o idoso.
Para Antônio, crescer vendo o amor dos pais foi um privilégio. “Eu nunca presenciei uma briga deles. O casamento deles é feito de amor, confiança e cumplicidade. É muito bonito o legado que deixam”, afirmou.
Nilton reforça o sentimento. “Convivo com eles há 50 anos. Sempre vi muito amor entre eles. É a presença de Deus nos exemplos que passam pra gente”.
Família reunida e grande expectativa para o casamento
A celebração mobilizou toda a comunidade da Paróquia de São Benedito, onde o casal participa ativamente há muitos anos. O irmão de Dona Lourdes, Manoel Carvalho, deixou o município de Senhor do Bonfim, a cerca de 318 km de distância, para acompanhar a cerimônia. “A missão é levar minha irmã até o altar. Isso vai ficar para sempre”.
A poucos dias da cerimônia, Lourdes não esconde a emoção de viver um sonho guardado por toda a vida e mostra o vestido que vai usar no casamento. “Eu fico muito emocionada. Sonhei em casar no religioso a vida inteira e nunca deu certo. Só agora, nessa idade, será realizado. Me sinto muito feliz”.
O padre Anderson Aparecido Lopes, responsável pela celebração, destacou a importância do momento para toda a comunidade. “É uma alegria para nós. Depois de tanto tempo, essa família decide receber o sacramento do matrimônio. Para a Igreja Católica, é um momento de festa e um exemplo para outras famílias”.
No domingo (23), após quase sete décadas lado a lado, a união de Genebaldo e Lourdes vai ganhar um novo brilho. No altar, o casal vai celebrar não apenas o matrimônio religioso, mas também a força de um afeto que resistiu ao tempo.
Por g1 Feira de Santana e região


