Prefeituras chegaram a gastar R$ 10 milhões a mais do que afirmaram ao Painel da Transparência
s municípios baianos declararam gastos de R$ 484 milhões nas contratações de artistas para os festejos juninos. Porém, o valor que já é recorde, é ainda maior.
Um cruzamento de dados feito pelo Grupo A TARDE, mostra que algumas prefeituras chegaram a gastar entre 1 e 10 milhões de reais a mais do que afirmaram ao Painel da Transparência dos Festejos Juninos, do Ministério Público da Bahia (MPBA).
e acordo com o levantamento, oito das 10 cidades que registraram as maiores quantias de dinheiro para bancar as atrações das festas, mostraram disparidade entre valores declarados e o que de fato foi gasto.
Cruz das Almas, Jequié, Irecê, Santo Antônio de Jesus, Senhor do Bonfim, Conceição do Jacuípe, Livramento de Nossa Senhora e Eunápolis, estão na lista dos municípios que divergiram nos dados.
No grupo dos mais gastadores, apenas Serrinha e Quijingue mostraram números compatíveis com aqueles mostrados ao MP. Na primeira cidade, foram contratadas 28 atrações pelo custo de R$ 8,74 milhões. Já na segunda, o gasto foi de R$ 5,25 milhões na contratação de 26 artistas.
O levantamento usou informações das grades oficiais de atrações de cada município; do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM); informações e valores do Painel dos Festejos Juninos, do MPBA; e também dos Diários Oficiais de cada município citado.
Em Irecê no Centro-Norte da Bahia, o São João é um dos mais buscados nessa época, sobretudo pelos artistas nacionais que se apresentam, atraindo milhares de pessoas de diversas regiões. Até o momento, o município declarou ter gastado R$ 7,91 milhões com festejos juninos em 2025, o valor é abaixo dos R$ 9,68 milhões obtidos a partir do cruzamento de informações.
Vale ressaltar que Irecê foi, dentre os municípios pesquisados, o segundo onde mais artistas com cachês de altos valores não foram declarados ao Painel do MPBA, como os cantores João Gomes e Zé Vaqueiro, R$ 500 e 430 mil, respectivamente. Ao todo foram cinco, que somados dão 1,56 milhão.
Por Jackson Souza e Anderson Ramos


