Flávia Vieira/SSP-BA
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Sangue Oculto: segunda fase de operação mira policial por mortes brutais na Chapada Diamantina

Promotores investigam possível execução de oito pessoas, incluindo três adolescentes, em Itatim

segunda fase da Operação Sangue Oculto foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (11) pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). A ação visa aprofundar as investigações sobre a morte de oito pessoas durante uma operação da Rondesp Chapada, ocorrida em 30 de julho de 2023, no município de Itatim, na região da Chapada Diamantina.

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços residencial e profissional ligados a um policial civil, cuja identidade não foi revelada. O alvo da ação é suspeito de envolvimento direto no planejamento e execução da operação policial que terminou com as oito mortes. Na ocasião, duas mulheres, seis homens e três adolescentes — um deles com apenas 13 anos — morreram durante a ação policial no Morro do Tigre, zona rural de Itatim.

MP investiga indícios de execução sumária e alteração da cena do crime

A abordagem, inicialmente registrada como confronto armado com suspeitos, passou a ser investigada como possível execução extrajudicial, após análises técnicas e periciais que apontaram ausência de sinais de reação por parte das vítimas.

“As provas reunidas até o momento indicam que o policial civil alvo da nova fase teria tido envolvimento direto na idealização, planejamento e execução da operação”, declarou o MP-BA em nota oficial.

Ainda segundo o Ministério Público, fortes indícios apontam que a cena do crime foi adulterada após a intervenção da Rondesp Chapada, o que comprometeu a lisura da investigação inicial. Em razão disso, a Justiça já havia determinado o afastamento cautelar dos policiais militares envolvidos, medida que permanece em vigor.

Dispositivos apreendidos serão periciados para aprofundar apuração

Durante a operação desta sexta-feira, os agentes apreenderam um telefone celular e outros dispositivos eletrônicos, que serão encaminhados à perícia técnica. A expectativa é que os equipamentos contenham comunicações, registros e documentos digitais que possam contribuir para o esclarecimento da real dinâmica da ação policial.

Coordenada pelos grupos Geosp (Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), a operação contou com apoio da Força Correicional Especial Integrada (Force) da Corregedoria-Geral da SSP e da Corregedoria da Polícia Civil. O Geosp, grupo do MP voltado para apurar casos de letalidade policial, segue à frente do inquérito. Segundo os promotores, o foco agora é reforçar os vínculos entre o policial civil e o comando da operação da Rondesp, além de verificar possíveis irregularidades na atuação da força policial.

Primeira fase da operação teve mandados em cinco cidades

primeira fase da Operação Sangue Oculto foi deflagrada em 7 de junho de 2024 e incluiu mandados de busca em Salvador, Feira de Santana, Itaberaba, Iaçu e Castro Alves. Na ocasião, foram apreendidos documentos, celulares e armamentos, reforçando suspeitas de desvio de conduta e possível coordenação irregular da operação policial.

O caso chamou atenção nacional pela gravidade e pelo perfil das vítimas, que, segundo o MP-BA, não apresentavam histórico de confronto armado com os policiais envolvidos.

Violência policial e vulnerabilidade social no centro do debate

A Operação Sangue Oculto integra uma iniciativa institucional do Ministério Público da Bahia para coibir práticas de violência policial fora dos parâmetros legais, especialmente em áreas com alta vulnerabilidade social. De acordo com o MP, os desdobramentos do caso podem envolver novas fases investigativas e o eventual indiciamento de agentes civis e militares.

A apuração segue em andamento e, segundo o órgão, novas provas devem ser colhidas a partir da análise dos conteúdos digitais. Até o momento, nenhum nome foi oficialmente divulgado, respeitando o sigilo da investigação.

Flávia Vieira/SSP-BA

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