in

Ivete Sangalo e outros artistas baianos lamentam morte de Preta Gil

Autoridades e artistas baianos lamentaram a morte da cantora Preta Gil, aos 50 anos, neste domingo. A artista estava em Nova York, nos Estados Unidos, em tratamento experimental contra o câncer, doença que ela tratava desde janeiro de 2023.

A cantora Ivete Sangalo, que era amiga pessoal de Preta, descreveu nas redes sociais que o encontro entre elas foi imediato e “fulminante”.

“Eu nem sei o que escrever pra você, porque meu coração tá tão pequenininho. Mas quero lhe dizer que bom que a gente se encontrou por aqui”, escreveu a baiana, chamando a amiga de “corajosa” e “valente”.

“Te amo infinito. Siga meu amor, sem dores, sem tristeza. Siga em paz”, completou.

“Preta Gil sempre foi uma mulher batalhadora, corajosa, que desde cedo mostrou capacidade de ter autonomia de pensamento e criar sua própria história”, declarou Daniela Mercury em entrevista à GloboNews.

A “rainha do axé” afirmou estar “despedaçada, mas encorajada a lutar pela vida”, conforme Preta ensinou. Em uma rede social, Daniela destacou que Preta Gil “tinha muito amor pela vida e “personalidade gigante, que ocupava espaços”. (veja post abaixo)

“Preta, para nós, sempre foi um acontecimento, uma energia de vida, de amor, de bondade, de garra. Leonina mesmo. Inspiradora para todos nós, corajosa em todas as suas posturas. Sobre sua sexualidade, suas fragilidades, sua vida pessoal e sua saúde fragilizada. Era, uma mulher incrível, lutadora, destemida, apaixonada pela vida e exemplo de coragem, resiliência e amor”.

A dançarina e empresária Lore Improta escreveu que a força de Preta é um exemplo e que a história dela “sempre será lembrada”. Nos últimos anos, elas se tornaram muito próximas e compartilharam alguns momentos nas redes sociais. Ao lado de Lore, Preta viu o pai, Gilberto Gil, estrear a nova turnê, “Tempo Rei”, na Arena Fonte Nova, em Salvador, em março deste ano.

O pai de Preta foi homenageado pela dançarina e pelo marido, o cantor Léo Santana, durante o Baile da Aclamação, festa beneficente que o casal promove para ajudar as Obras Sociais Irmã Dulce. Na ocasião, eles lamentaram a ausência da amiga e disseram que estavam em oração por ela.

A jornalista Maíra Azevedo, mais conhecida como Tia Má, disse que Preta era uma “mulher generosa, que sempre entendeu que afeto multiplica”, “acolhedora e uma alma ciente da sua potência”.

O cantor Xanddy prestou solidariedade à família Gil e lamentou por não ter conseguido se despedir de Preta Gil, como havia planejado. “Meu coração só dói muito, muito, pq [sic] no dia que adiei minha viagem pra te encontrar, não deu certo […] Esse teria sido nosso último abraço”, desabafou.

Entre outros artistas baianos que lamentaram a perda nas redes sociais estão os cantores Carlinhos Brown, Saulo, Claudia Leitte, Tatau, Léo Santana, e os atores Lázaro Ramos, Érico Brás e Edvana Carvalho.

Autoridades emitem nota de pesar

A cantora e atual ministra da Cultura, Margareth Menezes, recordou, em postagem nas redes sociais, ter conhecido Preta ainda na adolescência.

“De alguma forma lhe vi crescer e vi você se transformar numa das artistas de personalidade mais amada, inspiradora, mais autêntica do nosso país” escreveu a baiana, destacando que Preta tinha um “jeito livre de falar e enfrentar a vida, as alegrias e também as dores, sem pudores, sem papas na língua”.

Em nota, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), descreveu Preta como “uma mulher cheia de vida, dona da sua própria história, que defendeu a sua liberdade e o direito de ser quem se é”. O gestor também prestou condolências aos familiares e amigos dela.

“No coração de quem te ama, você seguirá fazendo sinais de fogo”, escreveu Jerônimo nas redes sociais, fazendo referência a um dos maiores sucessos da cantora, “Sinais de Fogo”.

A Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) destacou a trajetória da “mulher negra, artista plural e figura importante na luta por representatividade e liberdade”, que “deixa um legado na cultura brasileira, construído com coragem, alegria e autenticidade”.

“A Bahia, que faz parte da história de sua família, de sua música e da sua essência, se despede com gratidão. Que a memória de Preta Gil siga viva em cada gesto de amor, em cada escolha que fazemos pela alegria, pela liberdade, pelo respeito à arte e à diversidade”, afirmou o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro.

Prefeito de Salvador, Bruno Reis (União) disse, em nota, que Preta “construiu um belo legado na cena cultural brasileira, com sua presença vibrante nos palcos, além da bem sucedida carreira empresarial”.

“A marca que deixa, especialmente ao enfrentar com coragem um longo combate contra o câncer, é de inspiração e resistência”, salientou o gestor, manifestando pesar.

Tratamento nos EUA

A cantora estava nos Estados Unidos fazendo um tratamento experimental contra a doença. O primeiro diagnóstico veio em janeiro de 2023. Um ano depois, Preta declarou que estava curada do câncer de intestino e participou de uma missa para agradecer, em Salvador.

Após o tratamento inicial no Brasil com quimioterapia e radioterapia, e uma cirurgia para remoção de tumores em agosto de 2024, o câncer voltou a aparecer em outras regiões do corpo, levando à retomada de intervenções médicas, desta vez no exterior.

Nos EUA, a artista continuou seu tratamento contra o câncer, com foco em terapias experimentais. Ela estava hospedada em Nova York e viajava para Washington, onde era atendida em um centro médico especializado.

Filha de Gilberto Gil, afilhada de Gal Costa, Preta Gil deixou a carreira de produtora e publicitária e decidiu pela carreira de cantora aos 29 anos, quando lançou seu primeiro álbum. “Prêt-à Porter” traz o hit “Sinais de Fogo”, composição de Ana Carolina feita especialmente para a amiga. O disco recebeu críticas por ter a cantora, que já enfrentou racismo e gordofobia, nua na capa.

Durante toda a carreira, Preta Gil lançou quatro álbuns de estúdio, dois álbuns ao vivo, dois DVDs, além de uma série de singles e videoclipes. Lançou parcerias musicais com Ivete Sangalo, banda Psirico, Gal Costa, entre muitos outros nomes.

Preta também foi a responsável por criar um dos maiores blocos da história do Carnaval carioca. Em 2010, o “Bloco da Preta” desfilou pela primeira vez e, em 2017, ela conseguiu “arrastar” mais de 500 mil foliões pelas ruas do Centro do Rio com uma homenagem a Chacrinha. No mesmo ano, ela estreou o projeto na folia baiana.

Também participou de novelas e programas de TV, além de ter lançado carreira como empresária do ramo de mídias digitais e tráfego de influência.

Preta é filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, terceira mulher do cantor. Da relação, o casal ainda teve Pedro e Maria.

Além dos dois, Preta tem mais cinco irmãos: Nara e Marília (do casamento de Gil com Belina de Aguiar) e Bem, José, e Bela Gil (da relação do cantor com Flora).

Ela deixa um filho, o cantor Francisco Gil (fruto do casamento com o ator Otávio Muller), e uma neta, Sol de Maria, de 9.

Por g1 BA

Morro do Chapéu vai realizar casamentos coletivos gratuitos em vinícolas da Chapada Diamantina

Vacina universal contra o câncer dá passo promissor em estudo com RNA mensageiro