Joelito Modesto dos Reis, nascido em Morro do Chapéu (Bahia), é um artista plástico e ceramista de profunda sensibilidade poética. Aos 82 anos, vive um dos momentos mais expressivos de sua trajetória, reconhecido como um dos nomes mais respeitados da arte em Vitória da Conquista, onde reside há mais de quatro décadas.
Desde a infância, Joelito se encantou pelo barro. Aos sete anos, observava com curiosidade duas mulheres que moldavam panelas de barro numa olaria próxima à cidade onde seu pai trabalhava. Foi nesse cenário que ele teve seu primeiro contato com a argila, experiência que plantou a semente de uma paixão duradoura pela cerâmica.
Seu trabalho artístico é profundamente conectado à natureza e aos elementos. Utilizando argila vermelha retirada de sua própria fazenda em Brumado, Joelito cria obras que integram os quatro elementos fundamentais: terra, água, ar e fogo. Para ele, o processo cerâmico é a própria materialização da vida: a terra que se mistura à água, seca ao ar e se transforma no fogo, um ciclo natural que culmina na arte.
As flores, formas humanas e elementos simbólicos estão entre os principais temas de sua produção, sempre carregada de significado espiritual e familiar. Um exemplo marcante é a instalação na entrada de sua casa, onde esculturas representam seus filhos em fases distintas da gestação, fundindo arte, memória e energia vital. Segundo ele, os estames florais dessas obras funcionam como canais que captam e distribuem a energia do ambiente.
Joelito vive e trabalha na “Casa Número 23”, uma verdadeira galeria viva, onde as paredes contam histórias por meio das peças que ele molda. Em seu ateliê, nos fundos da residência, ele dá forma à argila com técnica e intuição, criando obras sob encomenda que encantam admiradores por todo o Brasil.
Além de seu talento individual, Joelito carrega consigo uma rica herança familiar. É filho de Joel Modesto (1907–1966), figura pública importante de Morro do Chapéu, que ocupou cargos como vereador, prefeito interino, fiscal geral e foi ativo em movimentos culturais e espirituais da cidade. Sua mãe, Hermita Reis de Souza, faleceu em 2005. Joelito é irmão de Flamarion, José Aurelino, Ana Justa, Joanita, Eliana, Oto e Sid — família cuja trajetória mescla política, espiritualidade, mecânica e arte.
Com mãos que moldam o barro e um coração que guarda memórias, Joelito dos Reis segue produzindo arte com vigor, emoção e a sabedoria de quem transformou o simples em eterno.
Brilhante Notícias com informações da TV Brasil
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