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Estradas baianas registram 2,6 mil acidentes e 375 mortes em 2025

Cada acidente é resultado de uma combinação de fatores, alerta o órgão

Por Hieros Vasconcelos

Distração, excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas e qualquer deslize na estrada podem ser fatais: vidas são perdidas em um instante, famílias destruídas e histórias interrompidas. Na última segunda-feira (1º), a morte dos irmãos Samuel e Mateus, de 17 e 14 anos, em uma colisão entre motocicletas na BR-101, em Presidente Tancredo Neves, no baixo sul da Bahia, trouxe à tona a tragédia que continua a se repetir diariamente nas rodovias do estado. Os adolescentes, em fase de ascensão na carreira musical, morreram instantaneamente, e o pai deles foi levado ao hospital em estado grave.

Embora a comoção seja maior quando pessoas conhecidas ou jovens estão envolvidas, diariamente milhares de pessoas enfrentam o risco constante de não chegar ao destino. Entre janeiro e agosto de 2025, as rodovias federais que cortam a Bahia registraram 2.662 acidentes, resultando em 375 mortes e 3.238 feridos, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Embora haja queda em relação ao mesmo período de 2024 — quando foram contabilizados 4.039 acidentes, 610 óbitos e 5.238 feridos — o impacto humano permanece grave.

Os levantamentos da PRF mostram que os acidentes não acontecem por acaso. Entre os fatores mais registrados estão: reação tardia do condutor (331 sinistros), ausência de reação (311), acessar a via sem observar outros veículos (305) e não manter a distância de segurança (174). Quando se trata de acidentes com óbitos, os principais causadores são transitar na contramão (59), ultrapassagem indevida (44) e velocidade incompatível com a via (38). Cada número representa vidas interrompidas, famílias transformadas e comunidades marcadas pelo trauma.

Para entender por que tantos acidentes continuam ocorrendo, o especialista em segurança viária, Ricardo Monteiro explica que a combinação entre fatores humanos, falhas mecânicas e infraestrutura precária explica grande parte das tragédias. “O excesso de velocidade, a distração pelo celular, o não respeito à sinalização e as ultrapassagens indevidas são responsáveis por mais da metade dos acidentes graves. Mas também não podemos ignorar a condição das estradas: muitos trechos apresentam buracos, sinalização desgastada, iluminação insuficiente e acostamentos irregulares, problemas que aumentam significativamente o risco de colisões”, alerta.

Outro fator que agrava a situação é a falta de educação no trânsito. “Pequenas infrações, como não manter a distância de segurança ou avançar em locais proibidos, podem gerar tragédias. A combinação de vias em condições inadequadas, veículos sem manutenção e comportamento imprudente é explosiva. Por isso, programas educativos, fiscalização rigorosa e investimentos em manutenção das rodovias são essenciais para reduzir mortes e feridos”.

Uso de celulares

A PRF também nota que 2025 apresenta características preocupantes em relação ao ano anterior. Segundo o órgão, embora o número geral de acidentes tenha diminuído, há aumento da imprudência, crescimento da distração provocada pelo uso de celulares e desrespeito maior à sinalização, especialmente em trechos de maior fluxo. “A

imprudência continua sendo a principal causa dos acidentes, com destaque para condutas como excesso de velocidade, ultrapassagens em locais proibidos e falta de atenção à condução. Também identificamos crescimento no uso de celulares ao volante, prática extremamente perigosa que compromete o tempo de reação do motorista. Outro fator recorrente é o desrespeito à sinalização”, afirmou a PRF.

Cada acidente é resultado de uma combinação de fatores, alerta o órgão. Por isso, a fiscalização rigorosa e as ações educativas seguem sendo aplicadas, buscando conscientizar motoristas e passageiros sobre a importância de adotar comportamentos seguros no trânsito. Apesar das medidas, as estradas baianas continuam exigindo atenção redobrada, e pequenos deslizes podem se transformar em tragédias irreversíveis.

Quem vive diariamente sobre rodas confirma que os riscos não se restringem ao comportamento do motorista. O caminhoneiro Antônio de Jesus, que há 22 anos percorre a BR-116 transportando cargas entre a Bahia e São Paulo, lembra que veículos sem manutenção adequada, pneus carecas e freios defeituosos aumentam o risco de acidentes. “Quando junta veículo sem condições com motorista apressado ou distraído no celular, o perigo é muito maior. A gente vê cada absurdo nas estradas”, relata.

O caso de Samuel e Mateus reforça que, por trás das estatísticas, estão vidas interrompidas, sonhos que não se realizarão e famílias que jamais voltarão à rotina anterior. “Até que haja mudança efetiva no comportamento, fiscalização e manutenção das rodovias, as estradas baianas seguem tirando vidas, lembrando a todos que, na condução, pequenos deslizes podem ser fatais”, alerta.

Fonte: Tribuna da Bahia

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